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Hora do Ping Pong

   

Hora do Ping Pong

O faixa coral Aloisio da Costa Short Sobrinho, nasceu na cidade de Serrinha no dia 31 de março de 1953. Iniciou no judô ainda criança, quando seu pai buscou auxilio na modalidade esportiva, para tentar acalmar o menino brigão. Short se tornou calmo e apaixonado pela filosofia criada por Jigoro Kano. Tornou-se uma das figuras mais respeitadas e queridas no estado colaborando para a fomentação judoística desde os anos 1970. Na Federação Baiana de Judô (Febaju) assumiu todos os cargos e hoje, além de coordenar o grupo de estagiários no colégio Marista Patamares, sensei Short é coordenador nacional de arbitragem.

Sport For Kids - Como e porque o senhor iniciou as atividades no judô?

Aloisio Short – Eu comecei ainda menino, na cidade de Serrinha, quando o professor Mario bento chegou na cidade e começou a dar aulas de judô. Eu era um menino muito agitado e brigão, quando meu pai me colocou no judô eu acreditei que ele estava fazendo isso para eu aprender a brigar, mas na verdade a ideia dele era me disciplinar. Eu entrei no judô pensando que era uma e foi outra. (Sorrindo) 

Sport For Kids - O senhor já praticou ou chegou a pensar em praticar alguma outra modalidade esportiva? Qual?

Aloisio Short - Não, nunca pratiquei nenhuma modalidade com afinco. Já nadei, joguei bola..., mas com dedicação como é com o judô, não. Em minha vida toda é só judô.

Sport For Kids - Qual a importância do judô em sua vida?

Aloisio Short – O judô tem uma importância muito grande para mim. Ele se transformou em minha doutrina, minha filosofia de vida e numa forma de eu me disciplinar, de encarar a vida conforme a proposta do nosso mestre Jigoro Kano, criador do Judô. Fazer o bem ao próximo, pensar sempre no outro. O judô me transformou de uma forma muito tranquila, para que eu tivesse uma convivência com o ser humano como deve ser, sempre procurando ama-lo, sempre procurando uma forma que ele se satisfaça e a mim também. Essa é a minha maneira de ver o judô, de suma importância em minha vida. Aliás, se tem uma coisa que sempre fiz em minha vida foi o judô, trabalhei, me aposentei e continuo trabalhando envolvido com ele.

Sport For Kids - O senhor é Arbitro Internacional Fij A, além de coordenador técnico de arbitragem da Confederação Brasileira de Judô (CBJ). Como foi sua trajetória?

Aloisio Short – Minha trajetória na arbitragem é interessante. Começou quando eu era um atleta competidor, e modéstia à parte, me desculpe, já estava começando a me destacar no cenário nacional, quando aos 21anos precisei fazer uma cirurgia que iria me deixar fora das competições. Mas eu não queria deixar o judô. Já ensinava e arbitrava esporadicamente, então procurei uma forma para preencher esse vazio, que era a competição, não foi fácil. Porque um rapaz com 21 anos que estava sempre em evidencia nas competições, ter que deixar de competir por problema de saúde, não foi fácil. Mas ai eu me dediquei ao ensino, me dediquei a ser diretor da federação e especialmente a ser árbitro. Onde tinha curso no Brasil eu ia fazer. Oficialmente, no quadro nacional, eu fui o primeiro árbitro na Bahia a ser registrado. Claro que existiam outros árbitros, como o professor Shiozawa, professor Yoshida, professor Ciro e o professor Carlos Lopes, mas eles ainda não tinham cadastro na CBJ. Eu fui me dedicando, comecei a aparecer muito novinho, as pessoas foram notando porque antigamente só quem arbitrava eram os mais velhos e o japonês. Eu era o mais novo ali, procurando me envolver na arbitragem.

Assim comecei a mostrar meu trabalho e me tornei arbitro nacional, participei de todas competições nacionais. Depois fiz exame para árbitro Continental Fij C e passei a arbitrar campeonatos sulamericanos, quando fiz exames para Fij B passei a arbitrar campeonatos panamericanos e outros eventos e circuitos fora do Brasil. Por último fiz o exame para me tornar Fij A. Foi quando aos 60 anos decidi parar de atuar, porque eu achava que os meus reflexos começavam a me trair e eu não queria prejudicar ninguém nas competições. Comuniquei a Confederação e eles me pediram para que eu continuasse ajudando na coordenação. Então eu fiquei, assim como aqui na Bahia eu dou esse suporte ao professor Paulo Latif na Federação. Arbitrei diversos campeonatos estudantis, sulamericanos, panamericanos, na Europa, no Japão, Nos estados Unidos, na América do Sul Toda... é isso ai, como árbitro essa é minha trajetória.

Sport For Kids - O que o senhor ainda deseja realizar ou conquistar no judô?

Aloisio Short – Para mim o judô é como uma religião e a cada dia precisamos estar em ação, precisamos estar nos relacionando com as pessoas. Minha perspectiva é sempre estar junto do judô, sempre buscando me melhorar para que eu possa melhorar o próximo. Quando falamos das conquistas materiais, ou cargos, eu não tenho mais nenhuma perspectiva, não quero mais nada, só quero estar em paz sempre!

Sport For Kids - O senhor já formou alguns alunos faixas pretas e alguns destes se tornaram professores também, outros estão competindo. Qual a sensação em vê-los seguindo os seus passos?

Aloisio Short – Eu sempre trabalhei no colégio Marista e durante muito tempo em outras escolas também. Dei aula também na academia Shiozawa, onde o professor Serrinha cuidava mais da parte de treinamento técnico e eu da parte de conhecimento. Muitos alunos realmente passaram por minhas mãos se preparando para ser faixa preta e hoje estão por ai. Do Marista poucos seguiram, porque buscaram uma vida profissional diferente. Mas eu fico muito feliz quando um aluno, um pupilo, está se destacando. Nossa! É uma alegria muito grande.  

Sport For Kids - O que o senhor diria a um pai, ou uma mãe, que esteja buscando uma atividade física para um filho?

Aloisio Short – Eu sempre sou sincero e sempre indico aos pais, quando chegam com uma criança de três ou quatro anos, buscando uma atividade, que por questão de segurança e tranquilidade, para os pais, a natação é o melhor caminho. O segundo esporte que sempre indico é o judô, pela sua disciplina, pela sua maneira de formar, de dirigir, de educar. O judô é um esporte fantástico! Então eu sempre oriento, depois da natação, quando é pequenininho e que não sabe nadar, que faça o judô por ser um esporte que complementa toda uma formação do ser. Logicamente a gente tem que ter muito cuidado, não apenas com o lugar que vai colocar a criança, mas principalmente com quem. Quem é o professor? Infelizmente a gente vê algumas pessoas que tem boa vontade, que querem colaborar com o judô, mas que não estão qualificadas ainda para tratar com criança, porque criança é uma joia muito delicada, muito fina, que precisa ser polida. Então eu sempre digo que os pais não podem entregar os filhos “a qualquer um”. Tem que ter muito cuidado para não colocarem a criança apenas para competir. Pensar apenas na competição não é importante. No futuro, com certeza, é uma consequência, mas só depois que ele tenha uma formação, entenda que no judô existe uma filosofia, até porque se a criança começar a competir cedo, vai deixar cedo o judô. É assim que eu penso. 

Sport For Kids -  O que o senhor diria aos pais que não querem que o filho pratique judô por acreditar que ele pode se machucar, ou acabar se tornando um “brigão”?

Aloisio Short – Nós como educadores, professores de judô temos que mostrar aos pais a verdadeira história do judô e sua filosofia, porque, na verdade por se tratar de uma luta, passa essa impressão para quem não conhece. Mas, a gente tem que fundamentar muito e mostrar para os pais que não é bem assim. Aliás temos feito muito sobre isso e temos tido sucesso. Essa ignorância precisa ser quebrada, precisamos dar exemplos e o exemplo somos nós. O exemplo são aqueles alunos que se modificam, que tem uma forma diferenciada de viver, no dia a dia na escola, na academia, no seu prédio, onde for. Porque o judoca deve ser e tem que ser um ser diferenciado. Essa é a desconstrução que a gente precisa mostrar aos pais sobre essa questão. 

Sport For Kids -  O senhor construiu uma carreira cercado de amigos e pessoas que lhe querem muito bem, isso ficou explicito quando recentemente precisou enfrentar uma cirurgia. A que se deve toda demonstração de afeto e apoio através das redes sociais? Qual a sensação e emoção ao perceber o quanto é amado?

Aloisio Short – (Emocionado) Primeiro eu agradeço aos meus pais, a Deus, aos meus professores, professor Mario Bento e professor Ciro por terem me colocado no judô. Nós que praticamos judô somos privilegiados porque fazemos parte de uma família coesa, dedicada, que um está pronta para ajudar o outro. Claro que é uma família com dificuldades de relação como qualquer outra família, mas na hora que precisamos um do outro, estamos prontos para servir. Nessa dificuldade de saúde que eu passei, percebi como essa família é importante, como essa família é bonita e como sou querido por muitos. Isso pra mim foi muito importante. Desde o primeiro momento que minha filha postou no facebook a informação sobre como era complicada a cirurgia que eu iria fazer, fui coberto de carinho. Na mensagem ela pedia doação de sangue e oração, que segundo os médicos eu precisaria tomar durante a operação, mas, graças a Deus, tudo correu muito bem e nem precisei das doações que foram feitas.

Muitas pessoas me procuraram, passaram mensagens, foram doar sangue, minha família criou grupo de orações e a família do judô também. Tive muitos amigos e colegas sempre ao meu lado, me dando força. Então isso é o judô. É essa família linda que devemos cuidar para que ela não se deteriore, através de coisas como política errada ou competição errada, porque o mais importante é sermos amigos, sermos irmão dessa linda família, que é o judô. Eu fiquei muito feliz, estou até emocionado em falar disso e aproveito a oportunidade para agradecer muito a todos que sempre estiveram ao meu lado e estão vibraram por mim. Estou ainda em recuperação, mas já voltei a trabalhar, estou em paz. 



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